Sex and the City completa 15 anos de estreia

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Hoje faz exatamente 15 anos que « Sex and the City » estreou pela HBO, com a exibição dupla do piloto e do segundo episódio (« Sex and the City » e « Models and Mortals »).

A série acabou em fevereiro de 2004, e teve duas continuações no cinema (em 2008 e em 2010), mas como apenas recentemente assisti toda a série (no meu grand moment de tirar o atraso com séries e filmes), ainda estou extasiada com a lembrança vívida dos encontros e desencontros de Carrie Bradshaw e Mr Big, assim como das aventuras e desventuras de suas três grandes amigas, não poderia deixar passar em branco essa data, néam?

Ousado, inteligente, criativo e inventivo, o seriado, composto por seis temporadas em um total de 94 episódios de cerca de 30 minutos cada, foi não apenas laboratório para novas tendências e nicho para diversas referências culturais, como também revolucionou a programação da TV a cabo, pois abriu as portas para produções cada vez mais arrojadas no que tange a linguagem sexual explícita, e enfrentou sem temor o fato de ser muito mais inclinado para um determinado público alvo, embora considerável a audiência masculina de SATC, que inclusive admite ter aprendido muito mais sobre mulheres do que jamais poderia imaginar.

Exibido entre 1998-2004, e adaptado do romance de Candace Bushnell por Darren Star e Michael Patrick King, SATC foi decididamente uma das comédias mais bem sucedidas para a televisão. Muito bem escrita, não foi à toa que ganhou 8 Globos de Ouro, 37 outros grandes prêmios para a televisão, além de receber 128 nomeações. As peripécias sexuais e amorosas vividas pelas personagens principais, quatro mulheres solteiras beirando os 30-40 anos em Nova York, são não apenas revigorantes, hilárias, e por vezes absurdas, como verdadeiras! E é este o composto da fórmula secreta para tamanho sucesso!

A premissa de SATC é basicamente contar a história dessas quatro pessoas tão diferentes uma da outra, e que de certa forma se completam, mostrando seu dia a dia, seus dilemas, dúvidas e impasses. É, portanto, simples e puramente, a realidade de todos nós, homens e mulheres (claro, no caso, muito mais em relação às mulheres).

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Carrie Bradshaw (Sarah Jessica-Parker) é a famosa colunista da revista New York Star, onde relata casos de desilusão amorosa e de relações interpessoais e sexuais. Com um gosto pra lá de controvertido, mas autêntico em relação à moda, e no qual busca inspiração em diversos designers, aliado a um apetite tão insaciável por calçados de grife quanto pelo relacionamento amoroso ideal, Carrie vive para o sexo e para a cidade (leia-se aqui, a cidade de New York, mais especificamente seu mais antigo e povoado borough: Manhattan). A cada novo episódio, a personagem faz a narrativa de um causo para sua coluna semanal, seja ele decorrente de uma experiência sua ou de suas fiéis escudeiras.

Ao longo da série, ainda, ela se envolve nas mais absurdas situações amorosas e sexuais, e em meio a muitas desventuras, acaba vez e outra encontrando relacionamentos com significado, como quando se envolve com o designer de móveis Aidan Shaw (John Corbett), a ponto inclusive de noivarem, ou quando se apaixona pelo sedutor escultor russo (Mikhail Baryshnikov). Mas é, aos trancos e barrancos, com todos os seus altos e baixos, que ela sempre acaba caindo nos braços do charmoso e sedutor Mr Big (Chris Noth), dono ainda do infame « absofuckinlutely », um dos quotes mais memoráveis mencionado no piloto e no series finale.

E alguém tinha alguma dúvida de que esses dois teriam tanta história pela frente depois do primeiro episódio?

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Charlotte York (Kristin Davis) é a amiga que nasceu em berço de ouro. Pertencente a uma família conservadora e da alta sociedade, a personagem é a típica sonhadora. Sensível, ela é a curadora de uma galeria de arte, e tem por objetivo constante a busca por relacionamentos duradouros, embora muitas vezes acabe se deixando enganar por tipos bem bizarros (como o sujeito bom de boca na hora do vamos ver e incapaz de uma conversa produtiva, ou aquele que não consegue conter um palavrão no momento do clímax) a ponto inclusive de ceder ao estimulador em forma de coelhinho rosa. Quando de suas mesas redondas, no entanto, é ela a responsável pelos conselhos otimistas no que diz respeito a relacionamentos, sempre se valendo das regras de ouro para amor e namoros, embora tenha sido a protagonista de um desastroso casamento e de um final inesperado ao lado de um sapo que acabou se tornando seu príncipe encantado.

Nas sequências cinematográficas de SATC, são dela, ainda, as situações mais hilárias, como quando, no primeiro filme, leva um estoque de pudins para o México a fim de evitar ingerir qualquer alimento contaminado com água local, embora acabe relaxando quando de um bom banho de ducha, culminando na impagável cena da diarreia que faz com que Carrie finalmente volte a sorrir depois da grande decepção com Big.  Ou então, na segunda película, quando contrata uma babá irlandesa sensual e desinibida, e teme mais o fato de não ter alguém para cuidar dos filhos do que perder o marido para a suposta amante.

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Samantha Jones (Kim Cattrall), por seu turno, é o avesso de Charlotte. É a típica devoradora de homens. Descolada, sensual e extremamente sexual, ela é a bem sucedida relações públicas, responsável ainda por conduzir o quarteto nas melhores baladas da cidade. Seu lema é « sexo sem compromisso », e a cada novo episódio a vemos com um ou vários novos amantes. Aliás, de acordo o The Sun, uma empresa farmacêutica fez uma análise das seis temporadas da série, e dos 94 amantes que as quatro moças tiveram no total, para a surpresa de poucos a personagem ganhou em disparado, com 41 conquistas (Carrie e Charlotte empataram com 18, enquanto Miranda ficou com 17).

Para Samantha, os homens não passam de objeto de entretenimento, e discutir a relação é para os fracos. É ela a amiga que diz as coisas na lata, sem medir as palavras. É a ela que Carrie, quando insegura de sua aparência para um desfile de moda, recorre para saber como realmente está a fim de saber se deve ou não seguir adiante, pois sabe que é a amiga que vai lhe dizer a verdade, doa a quem doer. Mas como ninguém é de ferro, e Samantha está longe de ser um monstro insensível, a personagem acaba se rendendo à monogamia pelo menos quatro vezes, inclusive com uma outra mulher (participação de Sonia Braga). E ao final da série, é ao lado do jovem aspirante a ator, Smith Jerrod (Jason Lewis), que ela passa de um relacionamento inicialmente descontraído e despretensioso para o mais sincero de todos, inclusive, e possivelmente, de todos os que são vividos pelas quatro personagens, apesar das mudanças ao longo do primeiro filme.

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Miranda Hobbes (Cinthia Nixon), por fim, é aquela amiga advogada que todo mundo gostaria de ter, e não por se tratar especificamente de uma advogada, mas por ser aquela que não tem papas na língua, mas que ao contrário de Samantha, mede as palavras. É a mais racional, a mais irônica e debochada, e aquela com as respostas mais afiadas no usuais encontros entre as amigas, e que do mesmo modo que Carrie e Charlotte, está à procura do amor verdadeiro, ainda que por momentos hilariantes acabe o encontrando num bolo de chocolate ou mesmo numa fictícia e ridícula novela britânica chamada « Jules e Mimi ».

Assim como Charlotte, porém, Miranda acaba encontrando o amor de forma inusitada, quando menos e com quem menos imaginaria, e ainda que exímia defensora do anticonvencional, após muitas reviravoltas, é aquela que mais se sente feliz e confortável quando finalmente conquista a estabilidade e constrói uma família.

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Essas são as quatro personagens de SATC, e àqueles ou àquelas que acompanharam suas aventuras, não é difícil descobrir que cada uma delas representa exatamente tudo o que uma mulher é durante uma vida inteira, e em um determinado momento. Afinal, nós, mulheres, todas temos dentro de nós uma Carrie, uma Charlotte, uma Samantha e uma Miranda. Ora, se não todas, pelo menos a grande maioria, nasce e cresce como Charlotte: sempre em busca do amor verdadeiro e do relacionamento perfeito. Aos tropeços, ou não, ao encontrar alguém, aquele a quem se credita o título de homem ideal, na hipótese (não rara) de uma grande decepção, eis que nos tornamos Samantha. Com a ferida parcialmente curada, chega a vez de nos transformarmos em Miranda, momento em que decidimos racionalizar e desconfiar de tudo e de todos, claro, mantendo sempre o bom humor em dia, para então, só ao final nos tornarmos Carrie. É um ciclo, e as meninas de SATC representam divinamente a classe feminina e a evolução da mulher ao longo de todas as temporadas.

Em meio a tudo isso, considerando o impacto que SATC causou no cenário contemporâneo no que diz respeito a relações interpessoais, a escritora Pamela Diane King conseguiu ainda extrair da série pelo menos 10 lições essenciais para namoro e relacionamentos, que valem a pena ser mencionados sucintamente:

  1. Não há problema ser solteiro. Esta é provavelmente a lição mais importante que SATC nos deixou, principalmente devido à grande preocupação das mulheres ao lidar com o fato de que, aos 30 ou 40 anos, ainda não encontraram seu par ideal. Ser solteiro significa não apenas poder se divertir, mas também desfrutar de independência.
  2. Sexo pode ser saudável. A verdade é que o sexo mudou muito quando o vírus da AIDS começou a fazer parte das nossas vidas nos idos dos anos 80. Ainda que tenhamos aprendido mais sobre a doença, a associação entre sexo e morte passou a assombrar a comunidade solteira por muito tempo, até que nos anos 90 o cenário se transformou, e a revolução do sexo casual, mas seguro, surgiu com toda a sua glória, e direito a nu frontal em SATC.
  3. Faça o test-drive antes de casar. Ora, quem não lembra do casamento de Charlotte com Trey? Ela finalmente encontrou o homem perfeito, mas, romântica como sempre, decidiu esperar a consumação na noite de núpcias, ao que descobriu que ele jamais poderia ter intimidade. Claro, há ainda quem não concorde com sexo antes do casamento, e opiniões devem ser respeitadas, mas convenhamos, para quem busca um relacionamento saudável, é mais do que importante saber certos aspectos e orientações do parceiro antes de assumir um compromisso para a vida toda, certo?
  4. Nunca se desvalorize. Nunca subestime sua habilidade de encontrar o amor na pessoa mais improvável, seja por condição social ou cultural. Se alguém está interessado em você, é para valer, pois o amor transcende a superficialidade. É exatamente o caso de Carrie, seja em relação a Aidan, a Aleksandr, ou mesmo Big: três homens que ela julgou perfeitos em determinados aspectos e acima de seu merecimento se interessaram por ela a ponto de fazê-la questionar-se inúmeras vezes. Não é difícil ainda esquecer quando, na terceira temporada, Miranda começa a namorar um detetive muito sensual, e acaba arruinando tudo quando trabalha na via errada para lidar com a situação ao ter uma visão consciente sobre sua própria aparência.
  5. Nunca mude. Esse é o tema constante da série, qual seja, não se perder em um relacionamento para o agrado do parceiro ou dos seus ideais. Carrie experimentou mudar por alguns amantes que teve ao longo da série, e acabou mal todas as vezes. Aidan foi o caso mais clássico: ele era perfeito, mas não para ela. Ao final, mais uma vez a personagem se perdeu com o artista russo, Aleksandr Petrovsky. Embora tenha ido de encontro com a opinião das amigas, ela se descobriu em Paris vivendo uma vida que não era dela.
  6. Seus amigos são seus melhores conselheiros. SATC ensina não apenas que ser solteiro é bom, como também que as amizades são importantes. Não adianta você ser solteiro e não ter amigos. Afinal, são com eles que dividimos nossas vidas quando não temos mais ninguém. E mesmo quando temos um parceiro no amor, é com os amigos que confidenciamos coisas das quais não ousamos dizer a mais ninguém. Claro, ter conselhos é bom, mas escutá-los é outra coisa, e se você decide mesmo assim casar rápido demais, como Charlotte com Trey, ou insistir com um sujeito que só lhe faz mal, como Carrie com Big, isso já é problema seu, porque as amigas estavam lá e fizeram suas advertências.
  7. Não insista num relacionamento condenado. Se os sinais de um relacionamento fadado ao fracasso estão lá, não insista. As meninas de SATC ensinam isso da pior maneira possível. Carrie encontrou um sujeito muito legal em Aidan, mas ela sabia desde o início que ele não era para ela. Mas a personagem insistiu, pisou na bola uma, duas, várias vezes, e na dolorosa tentativa de fazer dar certo novamente, falhou, e o sofrimento foi inevitável. O mesmo se pode dizer em relação a Charlotte e Trey.
  8. Aprenda a aceitar que a outra pessoa não está interessada em você. Miranda fica indignada quando um parceiro de primeiro encontro não aceitou subir ao seu apartamento, e ao assimilar a frase dita por Berger, então namorado de Carrie, de que talvez ele não estivesse afim dela, a ruiva passou a aceitar aquilo com mais normalidade, e como se não fosse nada grave.
  9. Não procure a perfeição. Esqueça o príncipe dos contos de fadas: relacionamentos são bagunçados e cheios de altos e baixos, mesmo os melhores. Para fazer funcionar, ambos tem que correr atrás. Charlotte experimentou o romance que tanto almejou ao lado de Trey, e falhou: foi uma decepção desmedida. Mas tudo mudou ao encontrar Harry, o oposto de tudo o que desejava para si. Do mesmo modo, Carrie e Big. Eles tiveram seus momentos, bons e ruins, e ao final descobriram que se amavam apesar do relacionamento longe da perfeição que tinham.
  10. Opostos podem mesmo se atrair. Não se trata de encontrar amor na pessoa mais improvável, como já se mencionou, mas sim, em alguém realmente oposto a você. É sempre muito bom ter alguém com os mesmos gostos ou mesma cultura, mas, às vezes, isso não basta. Miranda, por exemplo, jamais imaginou que ela, uma bem sucedida advogada formada em Harvard, acabaria se apaixonando e se casando com um bartender com atitudes por vezes infantis. Surpreendentemente, os dois acabaram dando certo, e as diferenças foram superadas, pois era justamente o fato de serem tão diferentes que os uniu.

Portanto, seja você Carrie, Charlotte, Samantha ou Miranda, fica meu convite para conferir a SATC e, claro, logo depois, os dois filmes que dão sequência à série. Aliás, entendo como dever obrigatório para qualquer pessoa assistir a SATC (série e filmes), pois não se trata apenas da saga de quatro mulheres em meio a uma cidade grande e sua busca contínua por sexo e amor, mas de transpor para a tela o que nenhum livro de autoajuda ou diversas sessões de terapia faria: mostrar os erros cometidos nas relações interpessoais de uma forma extremamente bem humorada e inteligente. E mais, mostrar como tentar resolvê-los: seguindo em frente. Receita essa que, passados 15, 20 ou 30 anos, ou superadas todas as tendências da moda, estilos e referências culturais, sempre continuará a mesma. Aos homens também fica a dica: vocês com certeza passarão a conhecer e a admirar mais as mulheres depois de assistir a SATC!

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Categorias:Colunas, Danielle Lenzi, Livros, Seriados, TV

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