Review : Man of Steel

Man-Of-Steel-2013

Em Montréal, Canadá, todas as salas de cinema lotadas por pessoas de todas as idades, a despeito dos inúmeros eventos e festivais de verão que acontecem atualmente na cidade, prova essa de que Superman nunca (e jamais) será demais.

E foi assim, com o mesmo entusiasmo de todas essas pessoas que curtem o maior super-herói da DC Comics, ou ao menos adoram assistir a um bom filme de ação, que eu fui conferir ontem a aguardada estreia da película dirigida por Zach Snyder e produzida por Christopher Nolan, com roteiro e história de David S. Goyer.

Não me surpreendi com o fato de que o filme é realmente tudo aquilo que todo mundo anda dizendo por ai, porém, muito mais: é uma das melhores adaptações de histórias em quadrinhos para o cinema e, na minha opinião, a melhor do Superman (e olha que sou fã fervorosa de «Superman» e «Superman II»).

«Man of Steel» inova ao mostrar o que os filmes anteriores do «Azulão» não mostram de Krypton. Vemos, por exemplo, muito mais do que jamais imaginaríamos ver do Planeta Natal do Superman saídas das páginas dos quadrinhos na telona. Fauna, flora e geografia em seu esplendor máximo com sequências de tirar o fôlego e de fazer qualquer fã vibrar na cadeira do cinema.

Obviamente que Russell Crowe também faz valer seu cachê e como grande ator que reconhecidamente é não deixa por menos na pele de Jor-El. Suas cenas em Krypton, no conselho e nos instantes decisivos em que coloca Kal-El no foguete para sua viagem rumo à Terra, são representações fiéis de «Superman: Birthright», porém, com muito mais ação, com direito a perseguições e mergulhos rasantes nos precipícios de Krypton. Seu embate com Zod (Michael Shannon) quando cada qual defende seu ponto de vista sobre o futuro do planeta é demonstração inequívoca da herança do nosso herói de capa vermelha.

Não vemos o casal Kent encontrar a nave que cai próximo à fazenda, e a história dá um salto e nos mostra Clark (Henry Cavill) trinta e três anos depois, trabalhando numa embarcação pesqueira. Próximo dali, um acidente numa plataforma de petróleo, e Clark salva a vida de inúmeras pessoas. Como um errante, ele segue adiante a cada salvamento, e na medida em que testemunhamos sua jornada, somos introduzidos a um pouco de sua história por meio de flashbacks, recurso esse sempre infalível e muito bem vindo em um filme que tem muito ainda a mostrar.

Cenas da infância e adolescência de Clark acabam então se tornando igualmente decisivas para reforçar a importância dos conceitos morais transmitidos pelos Kent. Kevin Costner, tal como Crowe (que aparece novamente na película em forma de holograma quando Clark encontra no norte do Canadá uma nave kryptoniana) não fica atrás como formador do caráter do grande herói que Clark um dia acaba se tornando, embora a cena de sua morte por demais de arrebatadora, para não dizer totalmente inesperada e surpreendente.

E é quando outros personagens do universo do Superman começam a dar as caras que a história flui. Lois Lane (Amy Adams), por exemplo, não aparece tanto quanto nos filmes anteriores, mas sua importância é igualmente vital para o desenrolar da história. É ela que, após ser salva por Clark no mesmo momento em que ele descobre sua origem kryptoniana nas geleiras árticas, que sai em busca de respostas a seu respeito, e descobre todos os grandes salvamentos de sua autoria ao longo dos últimos anos até descobrir uma verdadeira identidade. Algo, aliás, totalmente novo nas histórias clássicas do Superman (mas não estranha no universo de «Smallville», a série de televisão): Lois descobre a identidade do herói antes mesmo dele se tornar o Homem de Aço. Mas a repórter estrela do Planeta Diário decide guardar segredo quando ele lhe revela a trágica história da morte de seu pai e as implicações da revelação ao mundo acerca da sua existência.

Diferentemente dos filmes precedentes, no entanto, Clark não tem muito tempo para romance. Tão logo interage com o holograma com as memórias vívidas de Jor-El na nave encontrada, ele descobre tudo a respeito de sua origem, obtém seu uniforme azul e vermelho, e aprende a voar numa sequência extraordinária, que, inclusive, num dado momento nos remonta a cenas com o saudoso Christopher Reeve na pele do Superman.

E antes ainda que o nosso herói possa se revelar ao mundo como salvador enviado por Kyrpton, Zod dá as caras com seu exército de libertos da Zona Fantasma, cumprindo sua promessa de buscar o herdeiro de Jor-El no intuito de obter o código para a perpetuação da raça kryptoniana.

O filme segue com cenas cada vez mais emocionantes, nas quais somos introduzidos aos planos de Zod de transformar a Terra em uma nova Krypton, e muita ação com sequências de destruição em escala global jamais antes vistas em qualquer outra adaptação de uma história de personagem em quadrinhos no cinema.

O balanço final é no sentido de que «Man of Steel» funciona excepcionalmente bem como reformulação da história do Homem de Aço no cinema, pois traz a história como nunca antes vista na telona, porém, com as referências filosóficas e messiânicas a respeito do herói como já conhecemos, além de efeitos especiais extraordinários e como antes nunca vistos. A história peca um pouco com algumas falhas e lacunas, mas não deixa nem um pouco a desejar no que diz respeito às cenas de ação. Contudo, se você espera uma referência a um eventual filme da Liga da Justiça, esqueça. «Man of Steel» dá pistas da existência de outros personagens do universo DC, como quando vemos um caminhão da Lexcorp ou um satélite da Wayne Entreprises, mas nada mais do que isso.

No que se refere ao elenco, ainda, válido registrar que o mesmo é impecável. Henry Cavill é definitivamente Superman/Clark Kent. E aqui, felizmente, Clark Kent é Superman e vice-versa. Não vemos o «personagem» Clark Kent que Superman interpreta para disfarçar sua identidade secreta, salvo exceção da cena final. E isso é bom, pois a última coisa que se espera depois da decepção que «Superman Returns» foi para muitos, é justamente não rever um novo intérprete do Homem de Aço «reprisar» a atuação de Reeve. E Cavill interpreta com naturalidade crível. É perfeitamente possível se sentir a vontade com ele na pele do Superman, mesmo desprovido de capa, pois ele é o Homem de Aço do começo ao fim.

Da mesma forma Amy Adams como Lois Lane, a despeito de não termos muitas cenas com a personagem. A atriz, com a excelência que lhe é peculiar, consegue personificar a força da heroína que, mesmo sem esse título, não apenas é salva pelo Superman inúmeras vezes, como também o salva e ganha seu coração com sua impetuosidade, sensibilidade e, acima de tudo, humanidade.

Mas Michael Shannon, como Zod, é a grande surpresa do longa. O ator, com suas caras e bocas, nos faz odiá-lo do começo ao fim, mas é no final que acaba conquistando a empatia do público quando revela o compreensivo motivo para tamanha destruição.

Fica agora a dúvida do que pode estar reservado para a já anunciada sequência, e aos interessados, foi disponibilizada uma prequel em quadrinhos de «Man of Steel», que conta um pouco mais da história da Krypton, de uma outra kryptoniana enviada à Terra: Kara, e da nave que Kal-El encontra no ártico. Aliás, essa prequel, se for ou não aproveitada para o próximo filme, já confirmado pela WB, pode ser a pista de que talvez Kal-El não fosse aquele que Zod realmente procurava.

Para conferir a prequel em quadrinhos de «Man of Steel»:

Mo_S

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Categorias:Cinema, Críticas, Danielle Lenzi, Quadrinhos

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