Inclusão Cultural de histórias Queer e sua importância para o fim do preconceito

Ianto-and-Jack-tv-couples-908105_1680_946 (1)Quando um cenário envolvendo duas pessoas que se amam, um casamento muito bem planejado, junto a espera de um filho por chegar e que já é motivo de alegria do casal antes mesmo de nascer, é mostrado em um roteiro seja para cinema ou TV, automaticamente todo mundo acha lindo.

Então por que diante do mesmo cenário, o que é belo vira algo feio, quando se fala de casais do mesmo sexo?

Já algum tempo que a Cultura Queer desenvolveu sua própria identidade, mas isso ainda a mantém em meio aos excluídos. No entanto, atualmente alguns visionários buscam mostrar que não há nada de anormal ou tão diferente em histórias Queer, para as escritas com foco no público hetero.

Um bom exemplo é a série de TV The New Normal com Justin Bartha, uma das estrelas da franquia Se Beber, Não Case, que inclusive esteve no Brasil divulgando o último filme da trilogia.

O ator é um dos protagonistas do seriado e interpreta um bem sucedido doutor, que encontra-se em um dos momentos mais felizes de sua vida. Ele espera o nascimento do primeiro filho, enquanto se prepara para se casar com sua cara metade, após 8 anos morando juntos. Uma bela história de amor, mas que para quem não entende que amar é o que importa, o fato da cara metade do personagem de Justin Bartha na série ser outro homem, torna a série imoral.

Assim como The New Normal outras produções, tanto de TV como de cinema atualmente ajudam a acabar com o preconceito. Ainda não é possível encontrar filmes onde o casal romântico é protagonizado por pessoas do mesmo sexo, mas já se pode encontrar ótimas referências em filmes como a animação ParaNorman ou no filme Eu os Declaro Marido e… Larry, onde com muito bom humor foi dado o recado: Diga não ao preconceito.

Outras produções como a série de TV britânica de ficção científica Doctor Who, os roteiristas fazem questão de incluir personagens com opções sexuais das mais variadas, evitando inclusive mostra-los de forma estereotipadas. Um exemplo perfeito de produção que busca não incentivar preconceitos, criando histórias para o público em geral, sem cair em estereótipos ultrapassados.

A ideia dos produtores da atual equipe de Doctor Who deu tão certo, que um dos mais populares personagens da série é o Capitão Jack Harkness, um humano do século 51, famoso por seus relacionamentos flexíveis, pois sua mente livre de preconceito o destaca por seu charme e habilidade em flertar com mulheres, homens e extra-terrestres.

Interpretado por John Barrowman, o adorado Capitão Jack Harkness fez tanto sucesso no seriado que ganhou a própria série de ficção científica, que também aborda conteúdo sobrenatural. Torchwood mostra um Jack mais maduro, o qual ao lado de seu fiel escudeiro, Ianto Jones (Gareth David-Lloyd), protagoniza uma das mais belas histórias de amor. Um romance que caiu nas graças do público da série e continua conquistando fãs ao redor do mundo.

No Brasil, mesmo com a importação de produções de conteúdo Queer, ainda estamos longe de produzir algo de qualidade e a tensão política atual no país também não ajuda. Afinal enquanto a censura estiver atada a conceitos ultrapassados, que permitem a criação de leis que desrespeitam a Constituição e roubam os direitos humanos dos brasileiros, artistas não poderão se expressar livremente.

No entanto, um bom exemplo a ser seguido pelas mentes criativas brasileiras, é a tendência vista na literatura fantástica nacional atual. Em publicações como a coletânea A Fantástica Literatura Queer, temos a reunião de textos variados, escritos por autores talentosos de várias partes do país, com suas próprias filosofias de vida e que dão o exemplo do quanto o preconceito é algo que deve ser abolido com urgência do Brasil.

Autores como Camila Fernandes, uma das participante da coletânea da Tarja Editorial, comentou em entrevista ao jornal O Estado RJ, que o público de histórias fantásticas (como os de ficção científica e sobrenatural) tem uma mente mais aberta, até pelo estilo literário sofre preconceitos, mas que percebe que muitos autores ainda têm medo de ousar.

Uma opinião semelhante a de outros envolvidos na produção da coletânea como o organizador Rober Pinheiro. Apesar disso a esperança existe e está nas mãoes de autores que pensam igual a Eric Novello, o qual revelou (também em entrevista para uma matéria sobre o tema para o jornal O Estado Rj), que na opinião dele é necessário ir aonde a história pede, seguir o caminho que torna o seu personagem o mais real possível. O que a autora Nazarethe Fonseca fez muito bem em sua série Alma e Sangue.

O autor Osíris Reis lembra que a realidade é que o mundo não é feito apenas de heteros e destaca produções como True Blood, Spartacus, Glee, Game of Thrones entre outras. Enquanto Rober Pinheiro menciona o inédito trabalho de Ju Lund, autora brasileira que escreveu o primeiro romance com um casal protagonista do mesmo sexo, o livro Doce Vampira.

A Fantástica Literatura Queer é o primeiro passo, assim como histórias como a de Ju Lund e também a de Nazarethe Fonseca. Porém o cinema brasileiro parece que também decidiu seguir, ao abraçar a causa contra o preconceito oficialmente através do filme O Concurso.

Apesar das várias produções controversas e repleta de estereótipos, famosas em nosso cinema, esse ano um filme se destaca por buscar a criação de uma história que, usando o humor, buscou isentar os personagens do universo Queer nacional da imagem estereotipada o máximo possível.

Pela primeira vez em um filme brasileiro, personagens Queer são mostrados de uma forma tão peculiar que é impossível não pensar sobre o quanto se pode ser cruel, mesmo achando que faz o bem.

Em um ótimo trabalho de direção de Pedro Vasconcelos, o filme O Concurso levou o tema Queer do roteiro escrito por L.G. Tubaldini Jr e Leonardo Levis as telas do cinema de forma divertida, pois trata-se de uma comédia tipicamente brasileira, mas também tocante. Criando personagens que envolvem o público com seus dramas pessoais que é impossível não torcer pelo final feliz deles.

Em O Concurso vemos uma forma nova de mostrar não somente o universo Queer, mas a realidade do nosso país, mostrando com bom humor o quanto o preconceito pode ser prejudicial tanto para as pessoas, como para uma nação, e que no fim das contas “amor é amor”, seja o tipo que for, e é isso o que importa.

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Categorias:Anny Lucard, Últimas Notícias, Cinema, Colunas, Literatura, Livros, Seriados, TV

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