Autor Osíris Reis busca inspirar e melhorar o futuro com sua literatura

???????????????????????????????Com textos que vão de ficção científica que busca alterar o futuro com conhecimentos do passado, a histórias fantásticas escritas isentas de preconceito com personagens Queer, Osíris Reis tem em seu currículo literário o curioso romance ‘Treze Milênios – Gênese Vermelha’, primeiro livro da saga que o autor informa que terá 8 livros; aos 3 contos na coleção Tarja Editorial, ‘A Fantástica Literatura Queer’.

Osíris Reis cita Raul Seixas para definir a si mesmo, ao dizer que é uma “metamorfose ambulante”. Cursou períodos de Medicina e de Mecatrônica. Porém acabou optando pela carreira de “narrador profissional” como se chama, por ter cursado Audiovisual (Rádio, Cinema e TV). Curioso, questionador e imaginativo, é meio avesso às tradições e repetições, é um humanista e acredita que sua visão além dos tabus sociais que o aproximou da Ficção Fantástica no fim das contas.

Já teve contos publicados na revista Scarium e em antologia como ‘Paradigmas 1’ da Tarja Editorial  e ‘Imaginários 1’ da Editora Draco. Também escreveu para os blogs Fantástica Literatura Queer e Homens Combatendo Machismo. Atualmente além do próprio blog, o Tecnobardo, escreve para Quotidianos.com.br

Sobre a incursão ao universo Queer, o autor falou com exclusividade em uma entrevista para o portal Tabula Rasa.

TABULA RASA: Qual foi sua principal motivação para participar da coleção Tarja ‘A Fantástica Literatura Queer’?

OSÍRIS REIS: Quando abriram as inscrições para a coletânea, senti que não conseguiria conviver comigo mesmo se não tentasse participar. Já tinha publicado um romance antes e alguns contos, todos na área de Ficção Fantástica, mas nenhum que realmente tivesse a diversidade sexual como um dos pontos centrais da narrativa. Desde a adolescência, acompanhei de perto a luta dos autores brasileiros de Ficção Fantástica e também a luta pelos direitos dos que não são heterossexuais (eu entre eles). Então pra mim foi e continua sendo, a cada convocação para um novo volume da coletânea, uma chance histórica.

 TABULA RASA: Em seu(s) conto(s) como trabalhou a criação dos personagens para a(s) história(s) de conteúdo Queer? Foi apenas para participar da seleção, ou teve outra motivação?

OSÍRIS REIS: Alguns personagens, como os de “Queda” (que abre o Volume Laranja), já existiam antes da Fantástica Literatura Queer, só estavam esperando para sair do forno. Outros, como os de “Companheiros de Armas” (Volume Verde) e “A Mulher do Pescador” (Volume Azul, a ser lançado este ano) foram criados especialmente para as coletâneas. De qualquer forma, os conflitos de cada história são bem próprios, geralmente retratando meus sentimentos e questionamentos sobre homofobia. O que, claro, ajuda a incluir os contos na coleção, mas as motivações são outras, anteriores e internas. Revolta, tristeza e perplexidade diante de certos tabus e preconceitos são minhas molas propulsoras nesses contos. E de maneira geral, cada personagem foi desenvolvido para funcionar como um arquétipo dentro da história ou como elemento necessário à coerência da trama.

Os meus contos na Fantástica Literatura Queer não são sobre casais do mesmo sexo. “Queda” é sobre uma família poliamorista, com 2 homens e 3 mulheres que se relacionam sexualmente entre si. “Companheiros de Armas” não tem relação amorosa: tem um cruzado heterossexual lidando com a percepção de que um alienígena sente atração por ele. “A Mulher do Pescador”, que ainda não foi lançado, é o que de fato tem um casal do mesmo sexo.

Osíris Reis1 TABULA RASA: Alguns de seus leitores já comentaram sobre o diferencial de sua história? Positivamente ou negativamente? O que pensa a respeito da opinião deles?

OSÍRIS REIS: Sim, já comentaram tanto positivamente como negativamente. Meus contos dos volumes Laranja e Verde renderam vários elogios e várias críticas. Em geral, ou as pessoas tendem a achar muito bem escrito, com bom ritmo, boas descrições de cenários e ação, boa trama, ou tendem a achar tudo muito confuso e/ou pessimista. Eu acho bem interessante essa discrepância, esse “ame ou odeie”. Acho que faz parte do processo artístico: agradar alguns e desagradar outros, de acordo com a subjetividade de cada um.

 TABULA RASA: Tem pretensão de escrever outras histórias ambientadas no mesmo universo que criou para a história(s) selecionada(s)?

OSÍRIS REIS: “Queda”, como já disse, já existia antes da Fantástica Literatura Queer e é, na verdade, um prelúdio de uma saga maior, que espero desenvolver ou em forma de romances ou quadrinhos (se achar o/a desenhista certo). “Companheiros de Armas”, embora não pareça, faz parte do universo do meu romance, “Treze Milênios – Gênese Vermelha”, que devo republicar em breve. De qualquer forma, dificilmente os personagens de “Companheiros de Armas” retornarão. Já “A Mulher do Pescador” é um conto fechado em si mesmo.

 TABULA RASA: Tem algum outro trabalho na linha Queer, além da ‘Fantástica Literatura Queer’?

OSÍRIS REIS: “Treze Milênios”, até agora meu único romance, tem alguns personagens Queer, embora essa nem de longe seja a questão central. E por um longo tempo desenvolvi, como passatempo, uma fanfiction com protagonistas Queer (além de outros conflitos), que pode ser encontrada na página do Fanfiction.net de ‘Colossus dos Xmen As crônicas proibidas’.

 TABULA RASA: Quanto a novos projetos, algo em vista para esse ano? Pretende continuar a escrever histórias seguindo a mesma linha Queer?

OSÍRIS REIS: Acredito que, enquanto houver homofobia, algumas de minhas histórias tratarão dela. E independente de eu ser um homem homossexual, acredito que provavelmente minhas próximas histórias terão personagens com as mais variadas sexualidades.

Além de tentar me inscrever para o volume Roxo da Fantástica Literatura Queer, talvez saia no ano que vem uma Graphic Novel com meu argumento e roteiro. E claro: estou participando do blog coletivo Quotidianos.com.br, onde semana sim, semana não, publico contos sobre o cotidiano de universos fantásticos.

TABULA RASA: Qual tipo de livros costuma ler? Indicaria algum aos leitores? Algum de conteúdo Queer?

OSÍRIS REIS: Sou realmente aficionado por ficção fantástica, lusófona ou estrangeira. Indico os livros do Gerson Lodi-Ribeiro, do Eric Novelo, da Alliah, da Camila Fernandes, que são autores dos trabalhos mais interessantes que tenho lido ultimamente. Claro: há uma multidão de outros autores com ótimos trabalhos que tenho até medo de começar a citar e ser injusto esquecendo alguém. Quem quiser mais dicas pode contatar o Clube de Leitores de Ficção Científica ( clfc.com.br ), que boas indicações não vão faltar.

De literatura estrangeira, fiquei realmente boquiaberto com “Rei Rato”, de China Miéville. Divirto-me bastante com os livros da Charlaine Harris (que sempre tem alguns personagens queer) e do Rick Riordan. Comecei a ler George Martin, mas tive que me obrigar a parar, sob pena de não desgrudar durante um bom tempo. E claro: Lovecraft, Asimov, K. Dick, Poe e vários outros.

Na internet também está sendo produzida muita coisa interessante e de graça. Não paro de me surpreender com a alta qualidade dos contos do Quotidianos.com.br . Os contistas e ilustradores têm juntado muito material bacana. Se for publicar em papel, vai ser, com certeza, uma das melhores coletâneas de contos que já li.

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Categorias:Anny Lucard, Últimas Notícias, Entrevistas, Literatura, Livros

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