Entrevista exclusiva com a autora Giulia Moon que fala de seu universo fantástico sobrenatural

Foto: Louise Duarte

Foto: Louise Duarte

A autora e ilustradora Giulia Moon começou sua carreira literária como contista. Fã do mundo sobrenatural, especialmente pela histórias da autora Anne Rice, ficou famosa primeiro por causa de sua vampira Maya, protagonista da maioria de seus contos. Depois, como romancista, foi a vez da vampira Kaori se destacar. Mas o universo fantástico da autora é repleto de seres sobrenaturais dos mais variados. Além disso, a autora também gosta de escrever ficção científica e como é ilustradora, faz todas as ilustrações relacionadas a Kaori.

A personagem principal da série que leva seu nome, Kaori, apareceu primeiro em dois contos da autora, um inclusive como participação especial em uma das histórias de Maya. O outro conto faz parte de uma antologia da Giz Editorial, que deu origem a série Kaori posteriormente, a antologia Amor Vampiro (publicação da mesma editora).

Atualmente Giulia Moon é autora da Giz e além da série Kaori, também organizou a antologia Amor Lobo, que está lançando na Bienal do Livro Rio esse ano.

Giulia Moon estará diariamente no estande da Giz, mas confirmou que terá uma tarde de autógrafos especial no dia 7 de setembro, sábado, às 16h, onde irá autografar os livros da série Kaori.

A autora e o Tabula Rasa convidam os fãs de vampiro e sobrenatural, além dos cariocas Kaori Lovers (como os fãs da série se chamam), para irem no dia a caráter. Vale usar trajes vampirescos e também inspirados em personagens da série. Os melhores looks falarão parte da matéria do Tabula Rasa: Moda Vamp – Kaori Style.

No mesmo dia, às 19h, acontecerá o lançamento carioca da antologia ‘Amor Lobo, que além da presença de Giulia Moon já confirmou a presença dos autores Walter Tierno e Georgette Silen, que lançam respectivamente os livros ‘Anardeus’ e ‘Panaceia’.

Giulia Moon retorna ao Rio de Janeiro para outra Bienal do Livro que participa todos os anos no estande da Giz, assim como em São Paulo. Em entrevista exclusiva para o Tabula Rasa, a autora falou de seu trabalho no mundo da literatura fantástica.

TABULA RASA: O que te levou ao mundo da literatura? Qual motivação?

GIULIA MOON: Acho que a minha maior motivação foi o prazer de criar e contar histórias. Mesmo antes de saber escrever, eu inventava aventuras com os meus personagens favoritos na cama, antes de dormir. Era assim que eu pegava no sono todas as noites. Criar personagens, enredos, cenários; ouvir os leitores comentarem sobre os personagens da minha série como se fossem reais; vê-los fantasiados como os personagens, tudo isso me encanta e me proporciona um prazer imenso. Com certeza, o retorno financeiro não foi o aspecto que me trouxe a esse mundo, pois poucos escritores conseguem sobreviver com os direitos autorais, no Brasil.

Giulia Moon1TABULA RASA: Por que escrever literatura fantástica? Se destaca com os lendários vampiros, mas seu universo fantástico é bem amplo e até conto com o Saci você já escreveu. Tem um interesse especial por lendas?

GIULIA MOON: Eu sempre achei que um bom escritor é, antes de tudo, um bom leitor. Eu adoro ler histórias com elementos fantásticos, e o que escrevo é um reflexo disso. E, claro, as lendas e os personagens do folclore são ótimas fontes de inspiração para a criação de personagens. Na sua origem, essas histórias tradicionais costumam ser bastante simples e ingênuas, mas, com a ajuda da imaginação e do talento de escritores, quadrinistas e cineastas, elas são aperfeiçoadas e enriquecidas, dando origem a personagens populares como os vampiros ou lobisomens.

Quando comecei a escrever a série da vampira japonesa Kaori, aprofundei-me na mitologia japonesa, que é riquíssima em diversidade, e usei seus elementos para criar toda uma “fauna”que habita o universo de Kaori. Assim surgiram o gato de duas caudas nekomata, a raposa mágica kitsune, os tsukumogamis, objetos que criam vida após cem anos, etc. Acredito que muitas pessoas passaram a conhecer e a gostar dessas criaturas por causa dos livros e isso, de certa forma, ajudou a divulgar a cultura japonesa para quem ainda não a conhecia ou se interessava por ela. Além disso, como as pesquisas da organização que criei para a série, a IBEFF (Instituto Brasileiro de Estudo de Fenômenos Fantásticos) ocupam grande parte dos livros, muitas criaturas sobrenaturais participaram como coadjuvantes das histórias, inclusive vários seres do nosso folclore como os tutus e o boto. Mas a série Kaori não traz só seres tradicionais, há criaturas inéditas, criados especialmente para o livro, como os famélicos, animais carniceiros que comem os cadáveres deixados por vampiros, e o Shinkû, que, principalmente no Kaori 2, assume formas inusitadas no decorrer do livro.

TABULA RASA: Você escreve somente quando inspirada? Como exatamente funciona seu processo criativo? Como constrói seus personagens e histórias?

GIULIA MOON: A inspiração é essencial para começar uma história. Pode ser qualquer coisa, como uma música, uma frase, uma certa coloração do céu, um rosto misterioso na multidão, algo que chama a minha atenção e me deixa num estado especial, que liga uma chavinha diferente no cérebro e faz com que surja algo na minha cabeça. Esse algo tanto pode ser uma cena inteira ou apenas alguma parte do personagem como os olhos, o cabelo, as mãos. Só então surge o resto. É assim que geralmente começo a escrever um livro. No início, vem a ideia principal, um esboço de história com começo, meio e fim, mas nada em definitivo. Depois, as ideias vão fluindo enquanto escrevo, o esqueleto inicial vai se modificando, surgindo novos personagens, novas ações. Ao mesmo tempo vou retrabalhando o texto, cortando trechos que não serão úteis para a trama principal. Nesse processo, cenas inteiras caem fora, se eu não as considerar necessárias, assim como novas cenas poderão ser introduzidas. O processo criativo é contínuo, full time. A qualquer momento, se tiver uma ideia melhor para o final, por exemplo, sou capaz de reescrever o livro inteiro para que o final melhor prevaleça. Só paro de criar, corrigir e revisar quando o original vai para a editora.

TABULA RASA: Tem algum personagem especial em suas histórias do tipo “o queridinho da criadora”? Um favorito?

GIULIA MOON: Eu gosto muito dos personagens principais, claro, pois não conseguiria escrever o livro se não estivesse completamente envolvida por eles. Mas adoro alguns personagens coadjuvantes nos livros da Kaori, como osamurai Takezo, a raposa Omitsu e a cruel e malvada vilã Missora. Mas, no geral, eu gosto de todos os personagens, mesmo os que aparecem nas pontinhas, sem tanta relevância. No Kaori 2, por exemplo, me diverti muito escrevendo a única cena em que aparece Arrudinha, o fantasma do elevador, que tem a aparência semelhante ao Amigo da Onça, clássico personagem do Péricles.

 TABULA RASA: Como lida com as críticas? Acredita que independente de críticas, o que importa é a conquista de fãs, quando o assunto é vendas de livros?

GIULIA MOON: O livro é como um filho que nasceu de uma gestação, às vezes mais longa do que os nove meses de um bebê. É tão valioso para nós, autores, que acho que posso até afirmar: nenhum escritor aceita 100% bem as críticas. Quem gosta que falem mal do seu filho? Mas eu tento sempre ouvir as críticas com frieza, para não ficar deprimida com as opiniões desfavoráveis ou, ao contrário, com o ego inflado quando os comentários são muito positivos. Analiso-as para aprender algo com elas, pois tenho consciência de que ainda tenho muito a melhorar e aprender. Quanto a escrever para conquistar fãs, eu sempre escrevi em primeiro lugar para um único leitor: eu mesma. Claro que, após 13 anos escrevendo regularmente, acabei entendendo um pouco as preferências dos meus leitores. Converso com eles pelas redes sociais, e eles me dão broncas por ter matado algum personagem, dizem que estão apaixonados por outros, que querem que isto ou aquilo aconteça nos próximos livros. Ouço-os com atenção, pois essa troca de informações, de carinho, é muito bacana. Mas, a princípio, escrevo o que eu gostaria de ler, o que me diverte e me encanta, pois, afinal de contas, o leitor espera que eu, a autora, lhes traga algo de novo, de surpreendente. E acho que o resultado dessa postura tem sido bastante satisfatório, tanto para os leitores, que me seguem há vários anos, quanto para mim.

TABULA RASA: Sua estreia no mundo da literatura foi como contista e só depois lançou seu primeiro romance. Isso foi bom ou atrapalhou? Teve algum problema na transição de contista para romancista? Há alguma diferença em relação a forma de escrever?

GIULIA MOON: Eu publiquei três coletâneas de contos antes de me aventurar a escrever o meu primeiro romance. Essa trajetória, no meu caso, foi a melhor coisa que poderia ter acontecido. A transição para obras mais longas se deu de forma natural, pois os meus contos, que no início tinham uma ou duas páginas, foram se estendendo naturalmente, as histórias e os personagens se tornando mais complexos. Quando publiquei ‘A Dama-Morcega’, a minha última coletânea, o conto que dava nome ao livro era bastante longo, com personagens bem delineados e aprofundados. Os próprios leitores notaram isso, o aprovaram e pediram para que eu continuasse a escrever histórias mais longas. E o meu primeiro romance acabou significativamente nascendo de uma narrativa curta, pois a vampira Kaori tornou-se conhecida no conto “Dragões Tatuados” que escrevi para a coletânea de vários autores ‘Amor Vampiro’. Com o sucesso do conto e da personagem, veio o convite da editora para que eu escrevesse um romance com Kaori. E assim nasceu a série, que já conta com três títulos: ‘Kaori: Perfume de Vampira’, ‘Kaori 2: Coração de Vampira’ e ‘Kaori e o Samurai Sem Braço’. Para os romances, a minha experiência como contista trouxe a agilidade na linguagem, o texto enxuto e a divisão em pequenos episódios, muito úteis para que o leitor tenha uma ideia de todas as circunstâncias que estão se desenvolvendo e que irão repercutir na história principal. Essa forma de contar a história foi muito bem aceita pelos leitores, que têm lidos os livros em tempo recorde, o que é um sinal de que estou no caminho certo!

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Categorias:Anny Lucard, Últimas Notícias, Entrevistas, Literatura, Livros

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