The X-Files : 20 anos

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Tão impressionante quanto descobrir que no mês que vem «The X-Files» completa 20 anos da sua primeira exibição pelo canal Fox, é perceber como as tramas abordadas ao longo de seus nove anos de transmissão são atemporais, e como exercem influência no mercado televisivo mesmo hoje, ainda que sua idealização original na época fosse considerada um fracasso.

Transmitida entre setembro de 1993 a maio de 2002, a série foi concebida por Chris Carter, ao qual foi dada a oportunidade para a criação de uma nova produção televisiva pelos estúdios Fox. Cansado das comédias nas quais vinha trabalhando para a Walt Disney Pictures, o roteirista, produtor e diretor rascunhou o episódio piloto do que seria uma série de horror e ficção cientítifica e apresentou aos executivos, que rejeitaram a proposta.

Nitidamente inspirado em produções como «The Silence of the Lambs», «All the President’s Men», «Three Days of the Condor», «Close Encounters of the Third Kind», «Raiders of the Lost Ark», «The Thing», «JFK», «The Boys from Brazil» e nos seriados «The Twilight Zone» e «Twin Peaks», Carter reformulou a ideia original, e introduziu um casal de agentes especiais do FBI completamente diferentes em suas crenças, cuja relação seria estritamente platônica, e interação semelhante à dos personagens Emma Peel e John Steed, da série britânica «The Avengers». O projeto vingou.

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Com filmagens entre Los Angeles e Vancouver, a série contou com os até então não muito conhecidos do público David Duchovny e Gillian Anderson para interpretarem o casal de protagonistas Fox Mulder e Dana Scully. Ele, um agente especial que acredita na existência de vida extraterrestre e na conspiração do governo para encobrir tal verdade, e que trabalha com os chamados Arquivos-X, casos insolúveis que envolvem circunstâncias sobrenaturais. Ela, uma agente especial médica e cientista que se torna parceira de Mulder no episódio piloto, e que, diferentemente do colega, é cética, valendo-se de explicações científicas para suas crenças, mas que no decorrer da série vai se tornando mais propensa à acreditar em eventos paranormais e inexplicáveis.

A despeito das últimas duas temporadas consideradas como fracas pelos fãs, aliado à saída traumática do personagem de Duchovny ao final do sétimo ano devido a uma desavença e um processo movido contra o estúdio, e a inclusão de dois novos personagens principais, John Doggett (Robert Patrick) e Monica Reyes (Annabeth Gish), a série conseguiu trazer Duchovny para algumas participações e rendeu dois longa-metragens com roteiro de Carter e Frank Spotnitz, estrelados pelos protagonistas originais, «The X-Files: Fight the Future » e «The X-Files: I Want to Believe», havendo ainda a possibilidade de um terceiro filme.

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Além do elenco principal, «The X-Files» contou com Mitch Pileggi, como o diretor assistente Walter Skinner, e os informantes de Mulder ao longo da série, como Garganta Profunda (Jerry Hardin), Mr X (Steven Williams) e Marita Covarrubias (Laurie Holden), sem deixar de mencionar, lógico, Spender, mais conhecido como «o fumante» ou «o canceroso» (William B. Davis), por estar sempre fumando cigarros Morley a cada aparição na série, e que também é o principal antagonista, membro chave de uma conspiração governamental conhecida como Sindicato que esconde a verdade sobre os alienígenas e seu plano de invadir e colonizar a Terra.

Mas tão importante quanto a base de fãs que a série conseguiu ao longo de suas nove temporadas, inovando o conceito das produções televisas para o modelo que hoje conhecemos, «The X-Files» também inspirou diversos livros e quadrinhos com histórias paralelas ou continuadas escritas ou por fãs ou pelos próprios realizadores, com destaque para «X Marks the Spot», e deu origem ainda a dois spin-offs: «Millennium» e «The Lone Gunmen», ambas criadas por Chris Carter.

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«Millennium» conta a história de Frank Black (Lance Henriksen), personagem que aparece originalmente no quarto episódio da sétima temporada de «The X-Files», e que agora, é um ex-agente do FBI com a habilidade de visualizar o que se passa nas mentes distorcidas de assassinos em série e que passa a usar seu dom para salvar vidas participando de um misterioso grupo denominado Millennium.

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«The Lone Gunmen» ou «Os Pistoleiros Solitários» contam a história dos três nerds, John Fitzgerald Byers (Bruce Harwood), Richard Langly (Dean Haglund) e Melvin Frohike (Tom Braidwood), que eventualmente ajudam Mulder em «The X-Files», e que acabaram ganhando uma série própria, a qual, porém, teve apenas uma temporada, mas contou com participações especiais de Mitch Pileggi e David Duchovny em alguns episódios.

O legado de «The X-Files» não está unicamente atrelado à legião de fãs que deixou, aos bordões «Truth is out there» e «I want to believe», ou mesmo aos filmes que deram e dão continuidade às aventuras de Mulder e Scully, aos livros, quadrinhos e spin-offs que nem de longe alcançaram o mesmo sucesso. A série também é referência máxima em outras produções de televisão no gênero horror e ficção científica, tais como «Strange World», «The Burning Zone», «Mysterious Ways», «Lost», «Dark Skies», «Fringe», «Warehouse 13», «Torchwood» e «Bones». Não pode faltar nessa relação «Buffy the Vampire Slayer», «Supernatural» e «Smallville», que são ainda apenas algumas das séries que emprestaram de «The X-Files» o conceito de «monstro da semana».

Segundo ainda Vince Gilligan, roteirista e co-produtor executivo, sem «The X-Files» não existiria «Breaking Bad», e durante o painel dos 20 anos da série na Comic Con 2013, ao revelar que trabalhar com Carter foi estimulante e importante para a sua carreira, mencionou o episódio que escreveu para a sexta temporada da série, intitulado «Drive», com a participação de Bryan Cranston, hoje astro do fenômeno criado por Gilligan, «Breaking Bad».

E como na arte qualquer semelhança não é mera coincidência, quem é fã de sci-fi percebe de primeira as próprias referências das quais a série já se valeu com algumas cenas e até mesmo enredo e que são também inspiradas em outras produções do gênero.

Verdade seja dita, «The X-Files» não é o que se pode chamar de um sucesso que marcou época, uma vez que mesmo hoje é considerada a maior referência do gênero ficção científica da televisão. É bem mais do que isso: é um fenômeno que sempre será imitado, porém jamais igualado. Apesar de altos e baixos, jamais foi abandonada por seus fiéis fãs, que provavelmente compõem o maior fandom do gênero televisivo. E os filmes estão ai para comprovar: o que é bom nunca acaba. E que tal para comemorar essas duas décadas de «The X-Files» assistir e reassistir alguns episódios? Fica ainda a dica do painel de comemoração dos 20 anos da série na Comic Com 2013, com as presenças de Gillian Anderson, David Duchovny, Chris Carter e Vince Gilligan:

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Categorias:Danielle Lenzi, Seriados, TV

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