” Um escritor vive inspirado. Ou, ao menos, almeja isso.” Conta Marcelo Paschoalin em entrevista exclusiva

capanovaMarcelo Paschoalin é um exemplo de autor da nova literatura brasileira. Escrevendo onde estiver em seu smartphone e mesmo sendo psicólogo, costuma dizer que sua profissão é ser escritor, com “hobby”: o trabalho diário.

O autor é andreense, publicado desde 2003.Um romancista que tem vários títulos publicados, ‘Regência de Ossos’, ‘A última Dama do Fogo’, ‘Eriana – Filha da Morte e Vida’, ‘Anel Elemental: o Legado’, ‘1887: Sob o sol do Novo México’, ‘Anel Elemental: a Nova Era’ e ‘Aventura e Magia’. Além do livro ‘The Someone Gem’ que foi escrito em inglês, a quatro mãos, e Dark Fate, também em inglês.

Atualmente republicou ‘Regência de Ossos’ e ‘A última Dama do Fogo’ em sua editora, a LetraImpressa que fundo com sua esposa, estará na Bienal do Livro RJ 2013 em parceria com a Era Eclipse, no Pavilhão Verde, Rua Q29.

Em um entrevista exclusiva, Marcelo Paschoalin fala ao Tabula Rasa sobre suas obras e trabalho.

TABULA RASA: O que te levou ao mundo da literatura?

MARCELO PASCHOALIN: Eu tinha uma história a contar, e é isso o que fez de mim um escritor. Alguns dizem que escrever é um dom, mas discordo: como muitas coisas na vida, escrever também é uma habilidade que aprendemos. Essa habilidade começou a ser desenvolvida em mim com o incentivo à leitura por parte de meus pais, depois veio o interesse pela pesquisa, e então o contato com tantos livros maravilhosos. Quando você se cerca de tudo isso, é natural que as histórias comecem a brotar e a quererem ser escritas.

TABULA RASA: Você escreve somente quando inspirado? Como exatamente cria seus personagens e histórias? Gênero(s) favorito(s) ou depende da história para escolher um?

MARCELO PASCHOALIN: Um escritor vive inspirado. Ou, ao menos, almeja isso.

Escrevo sempre, inspirado ou não. Sei que o melhor de mim surge com a inspiração, mas se faço da escrita minha profissão, preciso manter um ritmo de escrita constante. E o que faço depois com as partes que surgiram em momentos não tão inspirados? Reescrevo. Já disseram que escrever é reescrever sempre, e é nos momentos de reescrita que a inspiração tem de brilhar e fazer da história o melhor que ela pode ser.

As personagens e as histórias que crio surgem em momentos especiais, quando algo entra em sintonia com o que quero contar. Podem ser livros, filmes, situações corriqueiras da vida, jogos de videogame… Todas as nossas experiências nos fazem o que somos, e isso é a fonte de inspiração de que precisamos. Eu jamais conseguiria apontar algo como a centelha que desperta uma narrativa, pois é o conjunto de fatores que realmente me influencia. Ver um por-do-sol é maravilhoso, mas talvez seja o fato de estar ouvindo algo enquanto assisto ao espetáculo natural que sirva de gatilho para a escrita… Ou não. É algo que somente ao vivenciarmos podemos compreender.

Agora, meu gênero favorito é mesmo a ficção fantástica. Acho que nunca me veria longe do mundo da imaginação.

TABULA RASA: Tem algum personagem especial nas suas histórias? Um favorito?

MARCELO PASCHOALIN: Seria impossível não mencionar Deora, protagonista de “A última Dama do Fogo”. Trilhamos um caminho iniciático todos os dias, passamos por rituais que nem nos damos conta, e crescemos ao vencer nossos desafios – ou seja, seguimos a jornada de Deora, mas a magia que praticamos é a magia da vida, transformando momentos de tristeza em mais pura alegria, acendendo tochas simbólicas que iluminam nosso caminho e o caminho dos que estão conosco quando somos verdadeiros companheiros e amigos.

TABULA RASA: Como lida com as críticas? Acredita que independente de críticas, o que importa é a conquista de fãs, quando o assunto é vendas de livros?

MARCELO PASCHOALIN: Críticas… Escrevi longamente sobre isso no artigo mais acessado do meu blog, mas posso destacar alguns pontos… Como escritor, quero a verdade. Eu quero ouvir o clamor da crítica sincera, o rufar dos tambores da opinião desvelada, o brado da resenha virtuosa. Eu quero saber se meu livro é bom ou não na opinião de cada um que decidir conhecer as histórias que tenho a contar. Afinal, a obra escrita é sempre inacabada, só se completando quando é lida. É preciso que permitamos a completude da obra, e que cada leitor a julgue como bem entender.

Não busco fãs e não corro atrás de vendas de livros. Sou escritor, e apenas quero contar histórias. Se elas encantarem os leitores, fãs e vendas serão consequência do meu trabalho.

TABULA RASA: Você se lançou autor independente na Bienal do Livro SP e esse ano vem a Bienal RJ como editor, com a editora que fundo. Pode falar qual seus objetivos em relação a editora?

 MARCELO PASCHOALIN: A LetraImpressa, que, em verdade, tem como editora a Patrícia Paschoalin, minha mulher, vem para suprir uma lacuna no mercado editorial. Já fui autor publicado de maneira tradicional, já fui autor que utilizou os serviços de uma editora para lançar um livro, já fui autor que atuou em parceria com editora, já fui autor independente, dei consultoria a editoras e autores. No fim das contas, meu conhecimento do mercado me deu a base para tornar a LetraImpressa uma editora que visa estar ao lado do autor e tornar seu sonho realidade. Como nosso objetivo é realizar esse sonho, não é todo original recebido que publicamos – alguns livros ainda não estão prontos e, assim, temos de recusá-los (não queremos publicar por publicar, e sim dar ao leitor uma obra de qualidade, que possa encantá-lo) – mas todos são lidos. A editora acaba de fazer um ano de vida e, nesse período, já chegamos às grandes redes de livrarias, participamos de eventos literários de peso e sabemos que ainda cresceremos bastante. Assim, sabemos que trabalhamos para que o sonho do autor se torne o encanto do leitor.

TABULA RASA: Na Bienal RJ irá autografar seus livros ‘Regência de Ossos’ e ‘A última Dama do Fogo’? E quanto a ‘Eriana – Filha da Morte e Vida’? Pode falar um pouco sobre os livros? São histórias independentes ou uma série?

MARCELO PASCHOALIN: Na Bienal autografo “Regência de Ossos” e “A última Dama do Fogo”. O livro “Eriana: Filha da Morte e Vida” esgotou em papel e agora só se encontra disponível como ebook na Amazon, onde também estão meus contos “Chacal” e “A Vila dos Mortos”.

“A Última Dama do Fogo” conta a história de uma jovem que aparece sem memória numa praia logo após um naufrágio. Enquanto tenta descobrir quem é, ela é acolhida em uma Ordem mística onde aprende os segredos que vão mudá-la e mudar todos a sua volta. É um livro que fala da busca da magia perdida e da redescoberta de si mesma.

Já “Regência de Ossos” narra a história de três mulheres: uma que busca verdade e justiça, outra que deseja poder a todo custo, e uma terceira que apenas almeja ser aceita e reconhecida como filha. Enquanto uma legião de mortos-vivos que se ergue contra o reino passa a ser dominada por uma delas.

Os livros não fazem parte de uma mesma série, embora sejam interdependentes: passam-se no mesmo universo fantástico, mas sem serem continuações diretas um do outro – na verdade, as histórias se completam, e podem ser lidas em qualquer ordem.

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Categorias:Anny Lucard, Bienal do Rio, Literatura, Livros

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1 resposta

  1. Conheci o autor na Bienal onte, fiquei muito feliz e ver como ele já produziu e continua produzindo, sucesso!

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