Simone O. Marques é a criadora de irresistíveis vampiros com cheiro e sabor especial de sangue

SIMONE-O-MARQUES_autora-livrosA autora Simone O. Marques nasceu em 1969, é paulistana, formada em Pedagogia (PUC-SP) e Mestre em Educação (UFPR). Começou sua carreira como escritora em 2007, com trabalhos como romancista e contista. Se destacou com seu livro de vampiros, ‘Agridoce’, que além de concorrer esse ano ao Codex de Ouro, atualmente foi relançado e se tornou o primeiro de uma série que ganho o curioso nome de ‘Sabores do Sangue’.

Também é autora da saga ‘Paganus’ e das séries de aventura fantástica ‘Marina e os tesouros da Tribo de Dana’ e ‘Crônicas do Reino do Portal’. Como contista tem publicado contos em diversas antologias de ficção, fantasia, suspense e terror.

A autora cedeu para o Tabula Rasa uma entrevista exclusiva, a qual estará na Bienal do Livro Rio 2013 no primeiro fim de semana. Porém vem ao Rio de Janeiro também para participar do evento com indicados ao Codex de Ouro hoje (29/08). O evento acontece na Fnac do Barrashopping , à partir das 19:30h.

Quem for a Bienal do Rio no fim de semana, poderá encontra Simone O. Marques no estande da MODO, Pavilhão Verde, Rua P14, na sessão de autógrafos de seu livro ‘Paganus’, dia 01/09, às 16h.

Simone O. Marques não para e seu novo livro, ‘Crônicas do Reino do Portal – O enigma da adormecida’, conta a história de oito jovens desconhecidos em um mundo estranho. Um livro que trará magia, feitiços, desafios e sombras, onde o leitor irá acompanhar os protagonistas numa aventura fantástica de descobertas e conflitos.

TABULA RASA: O que te motivou a escrever? Por que se interessou pelo mundo da literatura?

SIMONE O. MARQUES: Eu não sei dizer qual foi a motivação inicial. Escrevi um sonho que tive da melhor maneira que lembrei e quando li o que havia escrito, vi uma história com potencial ali e resolvi continuar. Alguma coisa se abriu dentro de mim, não sei mesmo, mas desde esse dia não consegui mais parar.

Estou muito ligada à literatura, pois sou uma leitora voraz. Amo ler, preciso ler e não esperava que escrever se tornasse algo tão essencial em minha vida, mas já faz tão parte de mim que o dia em que não escrevo, fico meio perdida. *risos*

TABULA RASA: Como cria suas histórias e personagens? Escreve somente com inspiração?

SIMONE O. MARQUES: As histórias vão surgindo, acho que minha mente está cheia de ideias esperando um espaço para virem à tona. Para começar uma história vem a inspiração, e enquanto a escrevo vem a pesquisa para que ela vá ganhando uma forma da qual eu goste. Cada história que criei teve algo de diferente, por exemplo, a saga ‘Paganus’ partiu daquele sonho que escrevi. ‘Agridoce’ nasceu de um conto que criei para uma antologia. ‘As Crônicas do Reino do Portal’ nasceram de um exercício de escrita que fiz que foi apresentar personagens através de suas falas, sem descrições; o exercício foi incrível e então, dali, a história nasceu com oito protagonistas e uma aventura.

Eu adoro criar personagens, me divirto e me emociono com eles e, acredito, essa é uma das marcas da minha escrita.

 TABULA RASA: Em meio a febre vampiresca, lançou um história de vampiro incomum, que tem mais influência da ficção científica, que da fantasia sobrenatural. Quando escreveu ‘Agridoce’ queria criar algo diferente ou aconteceu?

SIMONE O. MARQUES: ‘Agridoce’ nasceu de um conto que escrevi para uma antologia. O texto tinha que ter no máximo três páginas e isso por si só já era um desafio para mim. *risos* Então eu me foquei em uma característica dos vampiros clássicos que é o aumento da sensibilidade olfativa, aquela atração doentia pelo sangue. Busquei algo que fosse o minimamente verossímel, pois conheço pessoas que têm o olfato muito apurado. Eu queria surpreender os leitores do conto e, felizmente, foi isso que aconteceu e várias pessoas me escreveram dizendo que haviam adorado a abordagem e foram elas que me pediram uma história maior, que eu continuasse, então… continuei.

O lançamento era para ser feito antes da febre vampiresca, pois a história é de 2008, mas temos alguns problemas de edição aqui no Brasil e a primeira edição do livro acabou lançada no meio da tormenta vampiresca em 2010.

 SIMONE-O-MARQUES_4livrosTABULA RASA: Como surgiu a ideia de brincar com sabores na hora de compor seus vampiros?

SIMONE O. MARQUES: Bem, usando uma das sensibilidades clássicas dos vampiros, comecei a pensar em como uma pessoa que pudesse sentir os aromas de comida no sangue dos outros reagiria. E ainda pior, se você precisasse experimentar esses sabores diferentes (mordendo os outros) e necessitasse disso pra viver. Para deixar a situação ainda mais tensa, a personagem é estudante de gastronomia, uma pessoa que tem uma ligação intensa com aromas e sabores. Para temperar um pouco a história, criei algumas conexões: para cada vampiro que desperta para a necessidade de sangue, despertam um escravo de sangue e um caçador (ou antagonista). Os vampiros de ‘Agridoce’ são chamados de Portadores, por que o vampirismo é tratado como uma doença genética (que pode ser despertada em qualquer momento da vida, como uma alergia que desperta depois de algum estresse intenso). O escravo é um dependente físico do vampiro, ele precisa doar seu sangue para o vampiro, pois, se não o fizer, pode adoecer ou enlouquecer. O antagonista é um caçador personalizado, rsrsrsr, é uma pessoa que vê um desejo assassino despertado, uma ansiedade doentia de eliminar um vampiro específico.

Eu gosto de pensar que é uma cadeia de relações, na qual há uma interdependência física, emocional e psíquica. Todos estão ligados e isso muda completamente suas vidas e perspectivas. E eu adoro mudanças!

TABULA RASA: Além de histórias vampirescas, também escreveu ‘Paganus’. Gosta de variar nos gêneros. Pode falar um pouco do livro?

SIMONE O. MARQUES: ‘Paganus’ é um romance histórico. Ele tem como fundo um período negro da História, que é a inquisição. O livro fala de mulheres que estavam à frente de seu tempo, vindas de uma cultura onde eram as senhoras, mas que foram subjugadas, torturadas, queimadas, mortas, vítimas da intolerância religiosa. As bruxas de ‘Paganus’ são mulheres que lutaram para manter seus espíritos livres e que jamais abandonaram suas crenças, apesar de serem obrigadas a mascará-las.

A história se passa em Portugal no século XVII e chega ao Brasil. O livro foi escrito em 2007 e sua primeira edição saiu em 2008. Hoje o livro caminha para a quarta edição e continua conquistando leitores.

TABULA RASA: Tem algum personagem favorito em suas histórias? Por quê?

SIMONE O. MARQUES: Essa pergunta é difícil! Eu adoro meus personagens, adorei criar cada um deles. Considero cada personagem um desafio. Um grande desafio foi a personagem Gleide, de ‘Paganus’, por que ela é uma mulher que afronta os padrões sociais e de comportamento. Essa personagem é sempre uma das mais comentadas pelos leitores, pois alguns a amam e outros a odeiam, em alguns momentos a aprovam e em outros a xingam. É muito interessante, me fez prestar mais atenção ao que ela possuía de especial. A verdade é que ela provoca os leitores e eu acho isso maravilhoso!

TABULA RASA: Acredita que independente de críticas, o que importa é a conquista de fãs, quando o assunto é vendas de livros?

SIMONE O. MARQUES: Com certeza! Conquistar fãs é algo extraordinário e que motiva a escrita, sem dúvida. Quando um leitor fala das impressões que teve sobre o que você escreveu, interpreta baseando-se em suas experiências de vida, diz que se emocionou, que ficou com raiva, chorou, riu, se surpreendeu… Faz valer a pena a luta que é vender livros no Brasil.

 TABULA RASA: Você está concorrendo ao Codex, pode falar a respeito? O que significa essa indicação?

SIMONE O. MARQUES: Para mim foi uma surpresa! E fiquei muito feliz mesmo, principalmente por que a indicação foi baseada nas opiniões e resenhas de leitores sobre o livro. ‘Agridoce’ sempre foi muito bem avaliado pelos leitores e, mesmo com toda a concorrência vampiresca no mercado, desperta o interesse por sua construção de vampiros com um sabor diferenciado. Ser indicada ao Codex significa um passo importante na minha carreira como escritora e o carinho que os leitores têm pela obra, o que realmente me emociona e me impulsiona a continuar criando.

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Categorias:Anny Lucard, Últimas Notícias, Bienal do Rio, Entrevistas, Literatura, Livros

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