Ziraldo é Homenageado na Bienal do Livro

ziraldoAos 81 anos o escritor, ilustrador e cartunista Ziraldo continua produzindo tanto ou mais do que quando publicou sua primeira obra infantil, em 1969

 O pai de um dos meninos mais amados e mais malucos do Brasil é uma fonte inesgotável de criações e projetos que brotam a cada encontro com amigos, pedidos de colaboradores e até dos momentos mais solitários – aqueles quando geralmente rabiscamos uma folha de papel, sabe? Então: Ziraldo desenha. E desenha com tanta maestria que até os “rabiscos” viram livro, como o novíssimo Os Homens Tristes e Outros Desenhos, um coffee table-book adulto, uma das principais atrações da Editora Melhoramentos para essa Bienal. Até os novos formatos se rendem ao talento de Ziraldo. O livro mais baixado na Amazon Brasil é Os Hai-Kais do Menino Maluquinho, recém-lançado pela editora.

Toda essa efervescência resulta em muitos tributos e reverências, como o deste ano na XVI Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, na qual será o autor homenageado. No Pavilhão Verde do evento, realizado no Riocentro (Av. Salvador Allende, 6555 – Barra da Tijuca – Rio de Janeiro), de 29 de agosto a 08 de setembro, está localizado o Planeta Ziraldo, um espaço para muita interação, bate-papo e aventuras. Um local decorado e com a atmosfera das suas personagens. E certamente  os dias de autógrafos – os dois sábados e os dois domingos, às 15h30 -, vão levar multidões ao estande da Editora Melhoramentos, como de costume.

Já na entrada do evento, o público será saudado por um Menino Maluquinho inflável de quatro metros de altura, como parte das ações de marketing do ano do Ziraldo na Bienal, que conta ainda com: um megabanner, 2 logos no mapa da feira (de mesa), panfletos na credencial do professor (apresentando o panfleto no estande Melhoramentos o professor terá um desconto na compra dos livros),  um banner aéreo em cima do estande,  vários adesivos nos espelhos dos banheiros e distribuição da panela de papelão do Menino Maluquinho.

Quilômetros de autógrafos

Esse “maluco” universo de Ziraldo pode ser computado em números, em admiração e em carisma dos seus fãs. Pegando apenas as últimas 10 edições das Bienais do Rio e de São Paulo, suas famosas sessões de autógrafos já receberam cerca de 1500 pessoas em cada uma delas, gerando um total de 208 horas de assinaturas, em 52 sessões com média de quatro horas de duração. Se fizermos uma conta simples e pensando que cada pessoa pegou apenas um autógrafo (o que geralmente não ocorre), Ziraldo já assinou 78 mil livros. Essa assinatura tem, geralmente, 16 cm (só computando o nome Ziraldo, sem os desenhos e “Vivas!” que ele faz para os leitores); puxando as pontas desse autógrafo e esticando como uma linha reta, ele fica com 27 cm. Somando tudo, o maluquinho do Ziraldo já autografou pouco mais de 21 quilômetros, o que dá mais de 175 campos de futebol (padrão FIFA). Haja caneta, tinta e disposição!

E foi somando Zizinha + Geraldo, nomes dos seus pais, que surgiu Ziraldo, nascido em 24 de outubro de 1932, em Caratinga (MG), onde passou a infância. Bastaram apenas seis anos de vida para publicar seu primeiro desenho no jornal A Folha de Minas, em 1939. Com colaborações mensais para a revista Era uma Vez, no início da década de 50, entre os anos de 1951 e 1952, Ziraldo começou sua carreira. Dona Vilma foi a sua primeira mulher. Casaram-se em 1958, tiveram três filhos e sete netos. Atualmente ele é casado com Márcia.

Em 1961, realizou um sonho de criança. Lançou seu primeiro gibi, A Turma do Pererê, que tinha como personagens o Saci e outras figuras bem brasileiras.  Fez cartazes para vários filmes brasileiros, como Os Fuzis. Ganhou um parque temático com seu nome, o “Ziramundo”, fundado em 2000, em Brasília. Lá é possível girar na panela do Menino Maluquinho.

A primeira obra ninguém esquece

Unindo uma porção de cores criou Flicts, seu primeiro livro infantil, publicado em 1969. Até Neil Armstrong (primeiro homem a pisar na Lua) leu o livro e escreveu ao autor: “A Lua é Flicts”. O livro até já foi enredo de escola de samba, em Minas Gerais. Vito Grandam (1987) foi o primeiro romance de Ziraldo, oriundo de uma notícia de jornal que informava que três garotos tinham se perdido na floresta da Tijuca. O Brasil e a lua já estavam pequenos demais para Ziraldo: Inglaterra, França, Japão, China, Estados Unidos – que acaba de relançar a obra Flicts na Alemanha e na Argentina -, são países que publicam suas obras.

Apesar de ser conhecido por seus trabalhos infantis, Ziraldo tem uma veia política muito atuante. Ele ficou conhecido por criticar a ditadura militar brasileira. Acabou preso, em 1968, por suas críticas ao governo. Isso aconteceu um dia depois do AI-5 ser decretado. Ziraldo foi considerado “elemento perigoso”. E há 44 anos, fundou com outros humoristas o jornal O Pasquim, editado de 1969 a 1991. E a mesma turma voltou a se reunir, em 1999, para fundar a revista Bundas (“inspirada” em Caras), que falava de política com bom humor. No “Dia da Mentira” de 2002 era lançado o “Pasquim 21”, também liderado pelo cartunista. Essa face política de Ziraldo vira e mexe gera frases inusitadas como “Ler é mais importante do que estudar”, uma das mais famosas. Até hoje, a política está presente em seus  trabalhos. No começo de 2013, ilustrou o livro O Reizinho do Castelo Perdido, história de Mauricio de Sousa sobre um rei que não escuta mais o clamor do seu povo, um retrato dos políticos atuais.

Ziraldo é um alfabeto ambulante. Tem letras para todos os gostos e atravessa gerações como poucos autores no mundo. Suas obras já foram lidas por avós aos netos, dos pais aos filhos e dos filhos aos filhos. O mais lido de todos é o Menino Maluquinho (1980), que já vendeu mais de três milhões de exemplares. Ao todo são 152 títulos, que venderam cerca de oito milhões de exemplares no mundo inteiro, sendo mais de 350 mil no exterior.

Em todas as áreas e tribos

Nos cinemas, a obra de Ziraldo aparece nos filmes O Menino MaluquinhoMenino Maluquinho 2 – A Aventura e A Professora Maluquinha. E até já rolou uma ópera, O Menino Maluquinho, cantada por dois meninos e uma menina.  Quadrinhos para adultos também foram criados por Ziraldo:Supermãe e Mineirinho – o Comequieto. Para o teatro, Ziraldo escreveu a peça Bonequinha de Pano, onde mostra a amizade entre a boneca Pitucha e sua dona. A história é um presente do cartunista para a atriz paulista Zezé Fassina, que já havia atuado em três adaptações para o teatro de livros do autor.

Pintor, cartazista, jornalista, teatrólogo, chargista, caricaturista e escritor. Traduzido para vários idiomas, como inglês, espanhol, alemão, italiano e até esperanto. Cinema, teatro, gibis, revistas, jornais, sites, e-books e livros. Infantil, juvenil, adulto e extraterrestre. Ziraldo é uma máquina humana produzindo cultura. E não tem como fujir do óbivio ao compará-lo ao Menino Maluquinho, porque é um eterno menino com uma panela fervendo ideias na cabeça.

XVI Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro

Quando: de 29 de agosto a 08 de setembro de 2013

Onde: Riocentro – Avenida Salvador Allende, nº 6.555 – Barra da Tijuca

Estande da Editora Melhoramentos: Pavilhão Azul – Stand – H04/I03

 

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Categorias:Últimas Notícias, Bienal do Rio, Literatura, Livros

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