“Estou sempre inspirada. Ou seja, não existe um dia ruim para escrever,” declara Lu Piras.

Lu-Piras_01Lu Piras mora no Rio de Janeiro, é advogada por formação e escritora por vocação. Sempre gostou de contar histórias, criando e transformando pessoas reais em personagens de loucas aventuras. Escreveu seu primeiro romance – uma saga sobre duas famílias durante a Guerra da Crimeia – aos 15 anos, numa máquina de escrever Olivetti 1982, presente de seu avô.

Esteve por sete anos em Portugal, trabalhou como jurista, comerciante e artesã de bonecas. Em 2009 se matriculou no curso de Produção Editorial da UFRJ. Publicou o primeiro livro ‘Equinócio’ em 2012, pela Dracaena Editora.

É coautora do romance ‘A Última Nota’ que escreveu em parceria com o autor Felipe Colbert, uma publicação da Editora Novo Século.

A autora ficou muito feliz com a entrevista cedida para o Tabula Rasa e fez questão de agradecer aos fãs e leitores quanto as demonstrações de carinho que recebe diariamente, pois são a maior recompensa que poderia desejar. Aproveitando para convidar a todos para encontrá-la na Bienal do Livro do Rio 2013. A autora confirmou presença no estande da Editora Novo Século, Pavilhão Verde, M06/N05.

TABULA RASA: Qual foi sua principal motivação para escrever? O que a fez se interessar pela literatura?

LU PIRAS: Minha maior motivação é a paixão pela vida, pela complexidade do ser humano, pelos relacionamentos humanos. Escrever é uma necessidade para mim, através dela eu me comunico com o mundo. É algo que não posso controlar, por isso, não existe um fator estimulante maior do que eu mesma. Escrevo para ser lida, claro, mas escrevo, principalmente, para mim. A literatura é o meu playground.

TABULA RASA: Escreve somente quando inspirada? Como exatamente cria seus personagens e histórias? Tem um gênero favorito para escrever?

LU PIRAS: Não quero correr o risco de soar pretensiosa, mas estou sempre inspirada. Ou seja, não existe um dia ruim para escrever. Mas existem dias ótimos. Como, por exemplo, dias chuvosos e madrugadas insones. Meu gênero favorito é o romance. Qualquer romance que tire meus pés do chão.

TABULA RASA: Em meio a febre vampiresca, outros livros de literatura fantástica começaram a chamar atenção, como os sobre anjos. Escreveu sua história seguindo o mercado ou foi ao acaso?

LU PIRAS: A escolha da temática da minha série Equinócio foi totalmente ao acaso. Eu já tinha a ideia quando morava em Portugal, antes de voltar para o Brasil. Foi um período complicado em minha vida, de muitas mudanças. Eu me peguei sonhando muitas vezes com anjos, o que me deixou intrigada. Isso foi em 2008. Quando voltei para o Brasil, em 2009, me deparei com um livro de artes em uma livraria. Na capa, a escultura ‘Eros e Psiquê’ de Antônio Canova. A literatura sempre foi muito apelativa na minha vida, e nada melhor do que retomar antigos sonhos. Decidi que escreveria um livro nessa minha nova fase e que ele contaria a história de um amor impossível entre uma garota humana e o seu anjo da guarda. O sentido de proteção, de raízes, de família, é muito presente no livro, porque reflete essa minha fase. A Clara, a protagonista, foi construída não apenas a minha imagem, mas à imagem de qualquer pessoa que descobre a sua missão no mundo e precisa tomar importantes decisões sobre o futuro. O sobrenatural, ligado ao mundo dos anjos, fica a cargo de Nath-Aniel (Nate), o anjo de Clara. Ele é o amor universal, mas acaba por tornar-se o amor de sua protegida. Descobri em 2011 que havia livros da mesma temática prestes a serem lançados nos Estados Unidos, seguindo a moda sobrenatural que Crepúsculo, de Stephenie Meyer retomou. Isso não me incomodou. Acredito que é importante um autor enquadrar-se em mais de um nicho de mercado. Equinócio não me resume, mas foi uma excelente estréia no mercado editorial, com o diferencial de a história passar-se no Brasil, no Rio de Janeiro e tratar de temas como perpetuação da vida humana através de criogenia.

TABULA RASA: Tem algum personagem favorito? Qual e por quê?

LU PIRAS: Meu personagem favorito em Equinócio é a Clara. Ela tem um crescimento durante a história e acompanhar a evolução dela foi uma experiência incrível. Eu evoluí junto.

TABULA RASA: Como lida com as críticas? Você acredita que independente de críticas, o importante é a conquista de fãs, quando o assunto é vendas de livros?

LU PIRAS: Considero as críticas muito importantes para o amadurecimento do escritor. Sabe-se que não é possível agradar a todos, mas é sempre possível agradar ao maior número de leitores. E é isso o que eu busco, sem neura, sem urgência. Escrever é prática, é arte, é ter a intimidade compartilhada com estranhos. Sendo assim, nos colocamos de modo muito exposto, estamos sujeitos a críticas. Encaro isso muito bem, porque meu objetivo primordial não é vender, mas ser reconhecida como uma boa escritora pelo meu talento e não por números e cifras. A oportunidade sempre chega para quem tem talento, pois os leitores sabem apurar o que é bom, o que é de qualidade. Os fãs são o melhor termômetro do mercado. E o retorno deles é a maior alegria do escritor que escreve por paixão como eu.

TABULA RASA: Estará na Bienal RJ 2013. Irá autografar algum lançamento ou a só ‘Equinócio’?

LU PIRAS: Sim. Estarei na Bienal, se possível, todos os dias. Especialmente, no dia 01/09, às 13h, na sessão de autógrafos do meu livro ‘A Última Nota’, junto com o coautor Felipe Colbert, no estande da Novo Século.

TABULA RASA: Escreveu um livro ‘A Última Nota’ em parceria com Felipe Colbert. Também é um livro de literatura fantástica? Como foi escrever uma história a 4 mãos? (Fale um pouco sobre a trama do livro.) 

LU PIRAS: ‘A Última Nota’ é um romance, essencialmente. Eu e Felipe costumamos dizer que ele tem um tom de magia. Só lendo para saber o que isso quer dizer (é nessa magia que está o segredo da história). A experiência foi maravilhosa e a nossa parceria é, antes de tudo, fruto de um grande entrosamento. Além de termos os mesmos objetivos, de fazer literatura de qualidade, nos preocupamos em tornar a leitura agradável, descomplicada e rápida. Conhecemos o perfil dos nossos leitores e quisemos aliar a técnica de estrutura literária, especialidade do Felipe, ao lirismo da narrativa, uma especialidade minha. O resultado é um livro que se lê em três horas sem parar e uma história inovadora, da qual o leitor é convidado a participar com a sua própria imaginação.

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Categorias:Anny Lucard, Bienal do Rio, Entrevistas, Literatura, Livros

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